Great spirits have always encountered violent opposition from mediocre minds.
Albert Einstein 

Não existe no momento assunto mais palpitante (e de interesse comum) dos que os movimentos deflagrados pelo mundo com o povo ocupando suas cidades. De tal maneira que até mesmo jornalões como The Guardian, que sabidamente apoiam o sistema imposto pela elite global, publicam matérias como esta: http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2011/nov/07/one-per-cent-wealth-destroyers.

Se há interesses escusos por trás ou se trata de uma estratégia, não sei. De qualquer maneira prefiro pensar positivamente e acreditar que, mesmo na mídia controlada e controladora, existem os que têm um certo grau de independência que querem fazer a diferença. É verdade que a denúncia é mais do que óbvia e repete apenas a velha e longa ladainha dos que têm olhos pra enxergar a evidência do absurdo que é a agressão que esse planeta vem sofrendo, principalmente no último século, quando a escalada no uso e abuso dos recursos naturais se tornou a regra e não a exceção.

Também é fato que a assim chamada maioria silenciosa só se mobiliza agora porque a água chegou aos seus calcanhares obrigando-a a acordar antes que se afoguem. Ou, se preferirem uma outra metáfora, a casa (o planeta) tá pegando fogo e não faz escolha daqueles a quem vai queimar.

Mas mais do que a denúncia em si, o que importa aqui notar é o fato irreversível da tomada de consciência generalizada diante de uma situação insuportável pra 99% da população mundial. Até mesmo nos blogs onde o assunto é o entretenimento, como shows musicais, e amenidades, como futebol, os comentários acabam resvalando para o Basta! que a população está dando.

Em 1995 o ex-presidente da União Soviética, Mikail Gorbachev, promoveu durante 3 dias, no Hotel Fairmont em São Francisco, Califórnia, um encontro da elite mundial representada por todos os líderes de suas áreas (comunicação, finanças, bancos, farmacêuticas, minérios, mídia, todas as mais conhecidas multinacionais, eletrônica, automotiva, etc.).

Objetivo e tema único do encontro: decidir os rumos da sociedade humana em face do avassalador avanço tecnológico alcançado em curto prazo e que mudou de forma radical a relação do homem com o tempo, o espaço, o meio ambiente e o seu semelhante.

O homem, como peça da engrenagem dessa elite, estava deixando de ser necessário. Sua mão de obra podia ser substituída pela máquina com largas vantagens, principalmente ao eliminar a burocracia. Máquinas não recebem seguro desemprego e não reivindicam nada.

Então, “o que fazer com essa gente toda que vai ficar sem ter o que fazer?”, foi a pergunta central do encontro e seus debates. Sugestões, pontos de vista, opiniões, estratégias e projeções foram apresentadas e discutidas. Tudo relatado por 2 jornalistas alemães presentes, únicos representantes da imprensa permitidos, num livro que, pra mim, pode ser resumido no momento em que o presidente da Sunsystem, ao falar sobre sua empresa e expor suas ideias nos 5 minutos que lhe são dados (mesmo tempo que a qualquer outro), é interrompido pelo presidente da Helewet Packard sentado na 1ª fila que lhe pergunta:

- “Quantos empregados você tem hoje no mundo inteiro?”

- “Quatro mil”, respondeu o jovem executivo.

- “Desses, de quantos você efetivamente precisa pra girar o negócio?” prosseguiu o velho empresário da HP.

- “Não mais que seis. Essa nem você conseguiria imaginar ein David!” (se divertindo). “E, melhor ainda: cada um deles pode estar em qualquer lugar do mundo, o contrato é online, o distrato também, tarefa estabelecida, tarefa cumprida, resultado alcançado, dinheiro na mão, não preciso nem saber quem é, burocracia zero, eficiência 10.”

E os dois ficaram rindo. O da HP com expressão de orgulho pela nova geração. O da SS com cara de menino premiado, se achando o supra-sumo da esperteza.

Solução encontrada: criar a maior quantidade possível de gadgets, jogos, as mais variadas formas de entertainments, distrações mis. Lavagem cerebral pura e simples. Um teto sobre a cabeça e um prato de comida na mesa completam a receita pra evitar que a população se revolte e crie problema. Pra arrematar, a manipulação estende, amplia e aprofunda seus tentáculos tornando mais fácil o controle. Pão e circo.

Só que, parece, eles não contavam com os movimentos Ocupa pelo mundo a fora.

Ninguém mais está disposto a engolir a pílula da ilusão que vem sendo administrada homeopaticamente com fortes doses de adoçante sintético pra viciar o palato. Ninguém mais tá a fim de comprar a história mal contada pelos poderosos de plantão de que estão atuando em benefício do povo. Ninguém mais acredita nas boas intenções de instituições nacionais e internacionais e que clamam atuar na proteção e respeito a esse povo. Todos sabemos que esse papo furado não passa disso: papo furado, conversa pra boi dormir, bullshit.

A ingenuidade não tem nada de positiva e não cabe mais. Isso não passa de ignorância e acaba por confundir ingenuidade com pureza, como demonstra o psicólogo e prêmio Nobel Daniel Kahneman. Ele prova, depois de 8 anos de pesquisa, publicada no Guardian, com 25 conselheiros em finanças de Wall Street, que o sucesso individual nessa área não passa de mera sorte, não mais do que “chimpanzés girando uma moeda.” Mas, como Einstein já havia declarado: “Deus não joga dados”. Se trabalhar duro fosse o caminho da riqueza o escravo é que seria o senhor.

As pessoas cansaram do papel de bobo da corte e ser motivo de chacota pela falta de coragem de assumir o poder pessoal. Ou somos todos soberanos assumindo a mestria da própria vida, ou vamos viver em eterna mendicância.

 PS – Sempre que uso a palavra Deus me refiro à Fonte da existência. A palavra Deus é excessivamente poluída pelas mais diversas interpretações e distorções fundamentalistas e, pra mim, não tem nenhum significado. Mas como foi a palavra que Einstein usou, só me cabe reproduzí-la.

PS1 – Lamento informar mas não lembro o nome do livro escrito pelos jornalistas alemães. Os únicos dados que tenho são esses: Hotel Fairmont, San Francisco, 1995, encontro da elite global durante 3 dias, jornalistas alemães. Caso alguém se interesse em pesquisar no Google e obtiver resultado, peço, por favor, que me informe. Gostaria muito de ter esse livro em mãos novamente. Grato.