Através do curso Recriando Sua Vida® percebo nos participantes uma grande confusão com relação às palavras desejo, objetivo, sonho, meta e afins, e os medos, inseguranças e dúvidas de que sejam ou não alcançadas, ou ainda, se devem ou não ser buscadas, uma vez que existe a informação, na mente racional/consciente, de que devemos nos entregar à Existência e aceitar seus desígnios, por assim dizer.
A grande maioria se perde nesse imbróglio e o motivo é exatamente a falta daquilo que o curso se propõe a esclarecer e servir como ferramenta auxiliar pra que a confusão se desfaça: a menos que haja uma conexão interior com a essência da vida, não temos como saber quais nossas reais e verdadeiras intenções pelo simples fato de não sabermos quem somos… em essência.
Até que esse evento transformador se torne uma realidade irreversível, significa que somos escravos dos condicionamentos milenares que vêm ditando as regras de conduta das diferentes formas-pensamento das variadas culturas locais do planeta (hoje nem tão diferentes assim em função da pasteurização resultante da internet, tv a cabo, etc).
Ou seja, os apelos externos são muitos e a propaganda se encarrega de criar necessidades superficiais as quais aceitamos passivamente e incorporamos ao nosso dia-a-dia como sendo fundamentais e “sem os quais não podemos viver”, criando mais uma dependência exterior e sedimentando a zona de conforto.
Primeiro é preciso esclarecer que os desejos de melhora e/ou expansão, seja em que campo ou área da atividade humana for, são naturais ao impulso evolutivo. Só que esse impulso é uma demanda do espírito/alma/essência e não do ego. E é aí que entra a capacidade de discernir entre uma coisa e outra. Em termos simplistas, mas autênticos, qualquer desejo que “venha do coração” e, portanto, seja o reflexo de uma paixão, nos deixe entusiasmados e estimule a criatividade, tende a ser uma expressão desse impulso evolutivo original. Caso contrário trata-se de uma necessidade ou desejo condicionado a partir da lavagem cerebral a que fomos submetidos. Exemplos óbvios são os telefones celulares e internet, sem os quais “não podemos mais viver.” A existência desse fenômeno é irreversível e, em si, é um grande progresso na área da comunicação. Isso é fato. O problema surge quando, em vez de usarmos os novos brinquedos em benefício do avanço e aprofundamento dessa comunicação, nos tornamos seus dependentes a ponto de não saber como criar (no sentido literal da criação) uma nova realidade sem eles.
Vou dar um exemplo pessoal. Um cirurgião plástico, aluno dos mais frequentes nos meus cursos e workshops, como forma de demonstrar sua gratidão aos benefícios que recebeu na sua vida pessoal e profissional, produziu o Recriando Sua Vida® para o corpo de enfermagem de um hospital. No dia anterior à apresentação ele veio me pedir que não fosse com o meu Fusca, pois as pessoas não iriam entender como o “professor” tinha aquele “carrinho” enquanto o “aluno” possuía, graças ao curso, um reluzente BMW. Fui às lágrimas de tanto rir, mas também me dei conta de que alguma coisa estava errada no próprio curso, ou, mais exatamente, na maneira como eu estava passando o conteúdo dele. Ali mesmo decidi mudar e foi abordando essa situação que abri o curso pras enfermeiras. Disse que, por mais que tentasse convencer a mim mesmo, carros não tinham a menor importância além de me servirem pra levar de um lugar a outro. Marca, cor, ano e até condições gerais, desde que andassem, pouco significavam. Ou seja, não mobilizavam o meu sentimento de paixão e, portanto, não estimulavam meu corpo emocional a buscar aquele objetivo. Esse corpo emocional não vibrava na frequência necessária pra que aquele objetivo se tornasse realidade. Não havia tesão suficiente por aquela peça que, apesar de bonita na aparência, não tinha os requisitos essenciais que meu espírito demandava. E, como disse o sábio Roberto Freire, “sem tesão não há solução.”
Até hoje sou grato a ele pela oportunidade de melhorar a qualidade do curso desfazendo falsos conceitos de palavras que só tem sentido se forem aplicadas dentro de um contexto profundo, esclarecedor e, mais do que tudo, consciente. Como “sucesso”, por exemplo. Nesse quesito tive uma grande evolução: há 10 anos escolhi não ter mais carro. Por ter sido uma escolha consciente e, portanto, responsável, veio acompanhada de um intenso sentimento de liberdade por uma dependência superada. Sem falar na satisfação de ter deixado de contribuir com o 2º maior fator poluente do planeta.
Resumindo: não há nada de errado em estabelecer metas e objetivos, mas a menos que venham do “coração”, dando uma pista clara do que cada um veio fazer aqui como expressão do ser, refletindo essa essência, é perda de tempo e frustração garantida – eles não vão ter a força necessária pra se manifestar no plano físico, não vão ser atraentes o bastante pra permanecer na mente consciente como sendo um objetivo do qual não abrimos mão.
E, inevitavelmente, todos sabemos quando esses objetivos correspondem aos nossos desejos essenciais ou não.

